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27 novembro 2013

Reencontros - 4. Se dou festa trato bem até quem chega de penetra



Então... Hoje é quarta-feira e cumprindo a agenda do blog, eu vim postar o capitulo 4 de Reencontros.

* Não esqueçam que toda quarta teremos atualizações dessa história.

O capítulo de hoje tá maiorzinho que os outros, me avisem se quiserem que eu diminua para os próximos ;)
Estou curiosa para saber se vocês vão gostar do "Penetra" (risos).

Espero que apreciem a leitura.

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  Se dou festa trato bem até quem chega de penetra

Tem sempre aquela ideia que não faz o menor sentindo brotando na cabeça quando a situação é complicada.

Emma tinha várias delas e naquele momento, elas estavam causando um congestionamento em sua mente.

Colocou todas as ideias em uma gaveta imaginária, incluindo a de sair correndo dali como se não houvesse amanhã ou a de estrelar o barraco do ano com o namorado na frente dos amigos.

_ Eu não pretendia apresentar vocês hoje, mas como meu namorado não consegue cumprir uma promessa, acho que não tenho escolha. _ Disse forçando um sorriso. _ Pessoal, esse é o Maurício.


O que realmente ela queria dizer era.
Esse é o meu namorado, sim eu sei que ele é lindo e não, eu não
queria apresentar ele para vocês, porque vocês
não fazem mais parte do meu convívio social.
Fiz ele prometer que passaria o dia com meu pai, mas ele
resolveu me fazer uma desagradável surpresa aparecendo aqui
e me colocando nessa situação ridícula na frente de todos.


Maurício ainda lhe sorria, aquele tipo de sorriso encantador que tirava Emma do sério. _ Oi amor! _ Ele disse antes de envolvê-la em seus braços fortes.

_ Amor? _ Milena fez eco com a interrogação estampada no rosto. _ Emma a ignorou.

_ Amor? _ Milena perguntou novamente, dessa vez, cruzando os braços.

Todos continuaram olhando com curiosidade, até Maurício abraçar Emma pela cintura com uma das mãos e dizer. _ A Emma não queria me apresentar a vocês hoje, mas sabe-se lá quando eu vou ter outra oportunidade né? _ Ele sorriu com os dentes perfeitos.

Isso não se faz, Emma. _ Rebeca disse brincando. _ A gente promete que vai se comportar. _ Ela piscou para Emma e carregou Maurício até a mesa cumprindo seu papel de anfitriã para oferecer algo para ele comer.

O restante do pessoal se dispersou, a maioria nunca teve muito interesse pela vida amorosa de Emma, apesar dela ter certeza que se perguntariam por que ela não queria apresentar o namorado.

Ela sabia que Milena continuava ali prostrada esperando uma resposta que ela achava que merecia.

Emma não se deixou abalar, mas quando se virou foi difícil manter a concentração.


E Emma viu-se cercada.
Milena pela esquerda.
Felipe pela direita.
Ela no meio e sem saída.


Eu posso saber por que a sua melhor amiga não fazia ideia que você tem um namorado? _ Milena perguntou fazendo cara de magoada. _ E muito mal educado por sinal, ele nem me cumprimentou.

Emma olhou para Felipe como quem pede ajuda, mas ele apenas arqueou uma sobrancelha fazendo uma pergunta silenciosa.

_ Não sou obrigada a expor a minha vida em um outdoor, sabia? _ Ela se irritou. _ Você deveria saber que tem coisas que gosto de manter só para mim.

_ Tipo um cara lindo e sensual né? _ Camila chegou à conversa cheia de bom humor.

_ Não sei que tanta beleza você está vendo. _ Milena comentou ranzinza.
Felipe lançou um olhar carrancudo a Emma e saiu de perto das moças.
.
_ Ah para, Milena. _ Camila deu um empurrãzinho no ombro da amiga. _ O cara é um gato. Tá de parabéns, Emma.

Milena fez cara de nojo, mas não retrucou com Camila. _ Ainda não acredito que não me contou. _ Disse chateada a Emma e saiu de perto da amiga.
Emma sentiu uma pontada de culpa no coração, mas como sempre fazia, chutou a culpa para baixo do tapete.

Às vezes, se sentia egoísta por não dar importância para aquele tipo de comportamento de Milena, mas cedo ou tarde a culpa ia embora e ela ignorava o drama da outra.

Olhou chateada para Maurício, ele tinha insistido em acompanhá-la naquela viagem, mas Emma o fez prometer que ficaria na casa de seus pais.

Não que ela tivesse vergonha dele, mas não queria introduzi-lo naquele círculo de amigos com quem não tinha intenção de manter contato depois que retornasse para o sul.

Mas Maurício, como sempre, não conseguiu se conter. Ele era maravilhoso, mas Emma se irritava com os excessos do rapaz.

O calor embaçou a sua visão. Percebendo que a maioria das atenções estavam sobre o penetra, Emma aproveitou a oportunidade e saiu disfarçadamente em direção ao banheiro.

Jogou um pouco de água na nuca e no rosto. Fez uma careta involuntária diante do pimentão vermelho que encontrou ao se olhar no espelho.
A maçaneta da porta do banheiro se mexeu, sorte dela que se lembrou de trancá-la quando entrou.

TOC TOC... Alguém bateu. _ Será que não percebem que está ocupado? _ Ela pensou irritada.

TOC TOC... Insistem.

_ Tem gente!

TOC TOC...

Emma odiava aquele tipo de brincadeira. Secou o rosto e abriu a porta num rompante pronta para descarregar sua frustração no engraçadinho que batia. _ Eu já disse que tem gente! _ Disse antes de ver quem era.

_ É exatamente por isso que quero entrar aí. _ Felipe entrou sem ser convidado e se colocou entre Emma e a porta.

_ Não começa com isso, Felipe. _ Ela deu passo para trás. _ Sai da minha frente.

_ Você pode tentar passar por mim. e  nós dois sabemos como vai terminar. _ Sorriu _  Ou pode começar a me explicar que história é essa de namorado misterioso.

_ E qual é o mistério? Ele é meu namorado, simples assim.

_ Simples assim... _ Ele disse com um sorriso de escárnio. _ Seria muito simples também você ter me avisado isso antes de... _ Ele parou e coçou a cabeça agitando os cabelos.

_ Antes de?

_ Você sabe, Emma. _ Ele deu alguns passos e logo estava a poucos centímetros dela. _ Antes deu perder meu tempo fazendo planos para a sua chegada.

_ A sei. _ Ela colou-se na parede tentando se afastar dele. Eu vi seus planos na forma de meio metro de altura e voz de hiena.

_ A Bianca é só um tempero, eu sabia que você ia ficar irritada quando me visse com ela e eu adoro quando você fica irritada._ Ele se aproximou de novo e Emma ficou encurralada. _ Eu já até a dispensei.

Ela não queria se sentir daquele jeito. Era como se estivesse revivendo tudo de novo, todas as vezes que caiu naquele mesmo jogo. Sempre começava daquele jeito e Emma sempre terminava com um prato de brigadeiro na mão, os olhos inchados de tanto chorar e Sophia a consolando via Skype.

Encontrou forças para empurrá-lo no momento em que ele espertamente já descia uma das mãos até sua cintura. _ Dois anos, Felipe. _ Sua voz soou mais calma do que seu verdadeiro estado de espírito. _ E você realmente achou que as coisas voltariam àquela mesma bagunça de antes? _ Dessa vez era ela quem estava mais perto da porta.

Felipe virou-se para ela calmamente, como se não tivesse escutado uma palavra do que ela disse se moveu em sua direção, mas Emma agitou as mãos no ar pedindo que ele parasse e algo na postura dela o fez realmente parar. _ Emma, você sabe que não tem como fugir disso. Foi você mesma quem  disse que alguns sentimentos não podem ser esquecidos.

Era verdade, mas ela havia dito aquilo há tanto tempo que teve a impressão que foi em outra vida, palavras ditas por outra pessoa, mas Emma sabia que fora ela quem disse aquelas palavras e a lembrança daquele dia lhe deu forças para fazer o que era preciso.


Uma amarga lembrança.
Emma chegava em um barzinho para encontrar com os amigos.
Felipe estava lá, como ela já sabia que estaria, mas ele não estava só.
Foi uma noite de sorrisos forçados e lágrimas reprimidas.
Depois de alguns excessos alcoólicos, uma declaração e um coração devastado.
Ele: Um dia, você vai superar isso e esquecer esse sentimento.
Ela: Alguns sentimentos não podem ser esquecidos.


_ Você tem razão, eu aprendi isso por sua causa. _ Ela disse e isso deu a Felipe confiança para tentar se aproximar novamente, mas ela o deteve mais uma vez. _ Mas eu também aprendi mais uma coisa depois disso, Felipe, e também foi graças a você.

_ O que? _ Ele perguntou.

_ Alguns sentimentos não podem ser esquecidos, mas são bons demais para serem destinados a qualquer pessoa. _ Ela sabia que tinha atingido o ponto fraco dele, Felipe sempre contou com a devoção dela e pela primeira vez, ela lhe mostrava que as coisas tinham mudado.

Com o silêncio dele, Emma achou que tinha lhe dado uma pequena lição, quase não conseguiu conter o sorriso de satisfação. Virou-se cheia de atitude para sair do banheiro, mas antes de passar completamente pela porta, a voz dele a fez parar. _ Emma.

Ela parou, mas não se virou para olhá-lo. _ Adorei o decote. _ Maldito _ Ele nunca deixaria de ser aquele cara idiota, que pegava qualquer coisa séria que Emma dissesse e jogava pela janela para logo em seguida fazer um comentário impróprio sobre seu corpo.

_ Esse cara. _ Ela disse sem se virar. _ Não seja esse cara. _ Bateu a porta sabendo que tinha dado a ele alguma satisfação. Felipe sempre sabia como atingi-la.


Por um segundo, apenas por um segundo, Emma achou que ele podia ter amadurecido, mas existem coisas que não são fáceis de mudar e daquela batalha, Emma já tinha desistido.


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