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22 janeiro 2014

Reencontros - 8. E só mais uma vez aceitar...



Quase me esqueço que hoje é quarta-feira e dia de postar "Reencontros"
Espero que gostem do capítulo de hoje. :)


      
  E só mais uma vez aceitar...

Aquele lugar tinha gosto de infância para ela.
Emma pedalava como uma criança em sua antiga bicicleta enquanto Rodrigo a seguia aos resmungões.

_ Vai mais de vagar, Emma! _ Ele gritava.

Mas o vento fresco batendo em seu rosto fazia com que ela quisesse pedalar cada vez mais rápido.

Por fim, ela parou próximo ao pequeno lago. Rodrigo não demorou muito para chegar em seus calcanhares e desmontar se estabacando na grama verde. _ Estou velho demais para isso.

_ Não está velho, está fora de forma. _ Emma disse olhando para a barriga do irmão. Rodrigo sempre teve bom físico, mas estava começando a adquirir aquela famosa barriguinha de chopp.

_ Ei! _ Ele reclamou quando viu o olhar da irmã.
_ Se continuar a comer lasanha como comeu hoje, não vai conseguir nem completar uma caminhada.
_ Eu estava com fome. _ Ele se defendeu, mas Emma já não lhe dava mais atenção, estava tendo um daqueles seus momentos em que algo invisível lhe prendia a atenção.

Era fácil se perder em pensamentos lá, desde que se entendia por gente, Emma e Rodrigo freqüentavam a Quinta da Boa Vista, fosse para dar voltas de bicicleta, fosse apenas para se sentar no gramado e observar a paisagem.

Emma perdeu a conta de quantas vezes suas reflexões naquele mesmo lugar a levaram a tomar decisões que mudariam sua vida por completo.

_ Nunca perde o encanto, né? _ Rodrigo suspirou ao seu lado.


Emma se perdeu no tempo e não tinha a mínima ideia de quanto tempo ela e o irmão estavam sentados lado a lado sem dizer uma palavra, apenas observando o cenário onde crianças corriam com seus pais a observarem a alegria dos filhos.
Ela reparou que Rodrigo mexia desconfortável no celular, imaginou que a cunhada estaria lhe cobrando explicações de seu paradeiro e por isso achou melhor nem perguntar.

_ Vocês não desistem mesmo desse lugar. _ A voz que acompanhou aquela frase fez Emma tremer.

Relutantemente ergueu os olhos para se deparar com o rosto de Felipe banhado pelos raios de sol.

Instintivamente, ela encarou Rodrigo que já tinha se levantado em um salto. Seus olhos disseram ao irmão o que seus lábios não permitiram. _ Por quê? _ A pergunta silenciosa pairou entre os dois.

_ Acho que vou dar mais uma volta. _ Rodrigo ergueu a bicicleta. _ Estou precisando mesmo entrar em forma.

Ela observou enquanto Rodrigo pedalava de jeito desengonçado o mais rápido possível para longe dela e tentou ignorar Felipe que se sentava a seu lado.

_ Não o culpe, ele me devia um favor. _ Felipe disse de forma despreocupada. Emma não respondeu._ Eu só precisava ficar sozinho com você. _ Mais uma vez Emma não respondeu.
_ Não faz assim Emma, eu sei que você está doida para me falar meia dúzia de coisas.

_ Eu sinceramente, não tenho nada pra falar com você. _ Ela quebrou o próprio silêncio, mas se recusou a olhar para ele.
_ Ainda está chateada por causa de ontem? _ Ele perguntou e diante do silêncio dela continuou a falar. _ O que você esperava? Você aparece depois de dois anos e traz aquele sujeito.

_ E o que você queria, Felipe? Que eu tivesse passado mais dois anos sofrendo por sua causa?
_ Eu nunca pedi que você sofresse e também não pedi para você ir embora, foi você quem partiu, Emma, eu fiquei.
_ Você nunca esteve. _ Ela enfim o encarou.
_ Eu odeio quando você fala desse jeito, dá pra ser direta pelo menos uma vez?
_ Direta com o que? Pra que?
_ Sobre nós, por nós.
_ Não existe mais um nós, eu acho que nunca existiu.

Um sorriso escapou dos lábios de Felipe, mas Emma sabia que não era de felicidade.

_Você sempre faz isso, sempre joga a responsabilidade para cima de mim.
_ Se isso te incomoda tanto, então o que veio fazer aqui?
_ Eu só queria te ver, Emma. Só queria te olhar. Fiquei dois anos sem notícias suas, dois anos de silêncio. Eu senti sua falta.
_ Felipe...

_ Olha. Eu sei que nunca fui bom em demonstrar meus sentimentos e que nunca falo o que você gostaria de ouvir, mas você também não é fácil, Emma, nunca foi. _
Emma congelou, Felipe nunca tinha falado assim com ela. Pelo menos não sem soltar uma gracinha bastante inapropriada depois, e, foi por isso que ela ficou esperando._ Seria bom se você dissesse alguma coisa agora. _ Ele disse.

_ Eu não... Eu não sei o que dizer.
_ Que tal dizer que vai ficar no Rio, esquecer essa palhaçada de sair do estado, que vai dar uma chance pra gente...
_ Felipe, eu não posso fazer isso com o Maurício.
_ Por que não? Você ta com esse cara há quanto tempo? Dois anos, provavelmente menos.
_ E que o tempo tem haver com isso? Eu tenho uma vida, sabia?
_ Uma vida que pelo visto não me incluiu.
_ Você sabe por quê.
_ Sei? Tem certeza? Você nunca fala as coisas abertamente, Emma.

_ Então ta bom. Por acaso você se esqueceu do dia que eu fui toda derretida pra cima de você e você me deu o fora porque tava com outra? E o pior é que eu nem me lembro o nome dela. Foram tantas mulheres que passaram pela sua vida que eu até me perco.

_ Ah! Você quer dizer o dia que eu tinha mandado uma mensagem cedo pra você dizendo que estava ansioso para te ver e que você respondeu “também, amigo”? Lógico que arrumei companhia e depois de estar com um nível etílico considerável você resolveu se declarar pra mim no final da noite? Lembro sim.

_ Não foi bem assim que as coisas aconteceram. _ Emma tinha uma impressão bem diferente daquele dia.

_ Olha, Emma. Eu sei que sempre fui cafajeste. E sei que você sempre soube disso porque sempre foi minha melhor amiga, mas você também sabe que eu sempre gostei de você.

_ Sempre gostou de mim, da Camila, Juliana, Yasmin, Rebeca, Luana, e sei lá mais quantas.
_ Para com isso, sabe que com você é diferente.
_ Diferente como? A cada vez que a gente ficava você agia estranho depois, sempre deixou bem claro que não queria nada sério, Felipe.
_ Por isso é diferente com você, Emma. Você é a única que sempre conseguiu me deixar sem ação, eu nunca soube como agir depois de um beijo seu, sei lá, não dava pra saber se você queria que eu te beijasse de novo ou se sumisse da sua frente.

_ Ah, para de cena. É muito fácil vir aqui e me falar isso agora.
_ Quantas vezes você deixou que eu te beijasse sem que estivesse bêbada? Nenhuma, Emma. Você sempre me tratou como mais um amigo.
_ Isso não tem importância agora, vai ficar no passado.
_ Não precisa ficar.  _ Ele sugeriu.
_ Esquece, Felipe. Isso não vai acontecer. _ Disse séria. _ Eu estou com o Maurício, agora, e é com ele que pretendo continuar.

Se levantou rápido dando a conversa por finalizada, mas Felipe a puxou para se sentar novamente. _ Já falou tudo o que queria? Agora é minha vez.
Naquele momento ela soube que não seria tão fácil se livrar dele...

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