Hoje eu não esqueci que tinha que postar Reencontros :).
Na semana que vem vocês vão conhecer um pouquinho mais do Maurício.
A
qualquer distância o outro te alcança
Aqueles
dias típicos do verão carioca, onde as pessoas andam na rua com a cara amarrada
por causa das gotas de suor escorrendo pelo rosto, mas não ali.
Debaixo
daquela árvore, um antigo casal tentava resolver seus assuntos pendentes que
haviam ficado escondidos no passado.
Não que
Emma quisesse de fato ter aquela conversa, mas Felipe não parecia muito
disposto a deixar a oportunidade passar.
Emma puxou
a mão que Felipe prendia e se sentou de novo, mas não conseguia olhar para ele.
_ Eu sei
que você quer ficar. _ Ele quebrou o silêncio.
_ Eu não
posso ficar. _ Ela disse.
_ Por que
não? Não vejo nada que te impede.
_ Porque
ficar seria regredir e na vida a gente anda pra frente, não para trás.
_ A para
com essa filosofia barata, Emma. Isso é ridículo.
_ Ridículo
é eu estar tendo essa conversa com você. _ Disse irritada. _ Eu não mudei,
Felipe e você pelo visto também não.
_ Você tem
razão. _ Ele disse pensativo. _ Continua tudo a mesma coisa, ainda te que quero
tanto quanto a dois anos atrás.
Aquilo a
pegou de surpresa, mas estava decidida a não se deixar abalar por ele, sempre
cedia e não podia fazer aquilo com Maurício.
Suspirou e
respirou fundo tentando pensar nas palavras certas. _ Eu sei que nunca
facilitei muito as coisas, mas era difícil me deixar levar por um cara como
você. Quer dizer, sempre fomos amigos e você sempre me falava de uma mulher
diferente, eu não podia simplesmente chegar e dizer que estava apaixonada por
você.
_ Pode
fazer isso agora. _ Ele disse.
_ Não
posso, não. Eu estou com o Maurício e eu... eu gosto muito dele.
_ Tanto
quanto gosta de mim?
_ Por que
você está fazendo isso justo agora? Eu sabia que você ia ficar incomodado de me
ver bem, podia pelo menos fingir que está feliz por eu estar bem.
_ Eu estou
feliz por te ver bem, Emma, mas não me peça para ficar feliz vendo você com
outro cara.
_ Logo eu
volto pra casa e você não vai mais ter que pensar sobre isso. _ Ela se
levantou.
_ A sua
casa é aqui. _ Ele se levantou também.
_ Esquece,
Felipe. O pretérito perfeito pertence ao passado. _Deu as costas para ele e já
ia se retirando.
_ Emma. _
Ele a chamou.
Ela
virou-se só para ser pega de surpresa por ele quando a beijou. Ainda tentou
empurrá-lo, mas nunca foi capaz de recusar um beijo de Felipe e se odiou por
isso. _ Eu já disse que detesto quando você vem com essas filosofias baratas. _
Felipe disse quando a largou.
Emma o
empurrou irritada. _ Me esquece, Felipe. _ Disse com raiva, como quem não
tivesse gostado do beijo roubado, mas os lábios vermelhos e o coração acelerado
a condenavam.
Pegou a
bicicleta caída na grama e com o resto de dignidade que tinha foi embora, não
precisou olhar para trás para saber que tinha um sorriso torto no rosto dele.
Estava tão
confusa que quando se deu conta já estava de volta a casa dos pais, nem se
preocupou em ter deixado Rodrigo para trás. Depois acertaria as contas com o irmão.
O carro na
garagem denunciou que eles já tinham voltado da pescaria com Maurício. Respirou
fundo e entrou.
A primeira
coisa que viu foi a mãe com o tabuleiro de lasanha na mão. _ Seu irmão veio se
alimentar aqui, né? _ A mãe perguntou com cara de poucos amigos Emma fez que sim com a cabeça. Estava muito
chateada com Rodrigo para pensar em livrá-lo de uma enrascada com a mãe.
Dona Célia
sacudiu a cabeça em sinal de desgosto e começou a xingar impropérios contra a
cunhada de Emma, mas ela não estava com o humor muito bom para achar graça da
situação.
_ Seu
namorado leva jeito para pescar. _ O Sr. Antônio disse orgulhoso do genro, os
dois estavam se entendendo muito bem e isso fez Emma sentir ainda mais remorso.
_ E onde
Maurício está? _ Perguntou.
_ No banho,
acho que peguei um pouquinho pesado com ele.
_ Seu pai
quase tirou o coro do rapaz, ele está exausto.
Emma
aproveitou a oportunidade para se trancar no quarto, não tinha coragem de
encarar Maurício depois de ter beijado Felipe, mesmo que tenha sido pega de
surpresa porque tinha gostado do beijo e aquilo a estava matando de remorso.
_ Eu vou
pro inferno. _ Praguejou. _ Sou uma maldita de uma traidora.
Jogou-se na
cama arrancando as roupas e deixando o ar frio do ar condicionado consolar a
pele.
Passou o
restante da tarde trancada ali e a noite inventou um mal estar para não ter que
acompanhar a família no jantar.
Aquele
quarto sempre foi como um abrigo, todas as vezes que algo dava errado, Emma
passava horas e às vezes dias trancada ali até a dor passar.
Já era
madrugada quando conseguiu pegar no sono, mas não durou muito tempo até que um
pesadelo a abordasse.
Não sabia o
que devia fazer, não queria perder Maurício, ele era tudo o que ela sempre quis
em um homem, mas não conseguia mais negar que ainda sentia algo por Felipe e
sabia que ele sempre seria capaz de abalar suas estruturas.
Mas será
que um amor que faz com que você perca o chão e te tire do sério de maneiras
que nem você consegue entender pode ser saudável? Emma sabia que, para ela,
não.
Por mais
que seu coração sempre tivesse desejado estar ao lado de Felipe, ela sabia que
ele era veneno para ela e queria manter a maior distância possível entre eles,
mas como poderia encarar Maurício sem contar para ele o que tinha acontecido
entre ela e Felipe.
Emma sempre
se orgulhou de ser sincera, pelo menos no que diz respeito a ser uma pessoa que
tem certo asco por mentiras. Sabia que não conseguiria dormir em paz até contar
tudo para Maurício.
Levantou-se
aproveitou a escuridão e silêncio da
casa para sorrateiramente ir até o quarto em que ele dormia. Estava decidida a
abrir o jogo com ele e se ele a perdoasse, diria sim a seu pedido de casamento
e cuidaria para manter toda a distância possível de Felipe pelo resto da vida.
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