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29 janeiro 2014

Reencontros - 9. A qualquer distância o outro te alcança


Hoje eu não esqueci que tinha que postar Reencontros :).
Na semana que vem vocês vão conhecer um pouquinho mais do Maurício.
    

  A qualquer distância o outro te alcança


Aqueles dias típicos do verão carioca, onde as pessoas andam na rua com a cara amarrada por causa das gotas de suor escorrendo pelo rosto, mas não ali.
Debaixo daquela árvore, um antigo casal tentava resolver seus assuntos pendentes que haviam ficado escondidos no passado.

Não que Emma quisesse de fato ter aquela conversa, mas Felipe não parecia muito disposto a deixar a oportunidade passar.

Emma puxou a mão que Felipe prendia e se sentou de novo, mas não conseguia olhar para ele.

_ Eu sei que você quer ficar. _ Ele quebrou o silêncio.
_ Eu não posso ficar. _ Ela disse.
_ Por que não? Não vejo nada que te impede.
_ Porque ficar seria regredir e na vida a gente anda pra frente, não para trás.
_ A para com essa filosofia barata, Emma. Isso é ridículo.
_ Ridículo é eu estar tendo essa conversa com você. _ Disse irritada. _ Eu não mudei, Felipe e você pelo visto também não.
_ Você tem razão. _ Ele disse pensativo. _ Continua tudo a mesma coisa, ainda te que quero tanto quanto a dois anos atrás.

22 janeiro 2014

Reencontros - 8. E só mais uma vez aceitar...



Quase me esqueço que hoje é quarta-feira e dia de postar "Reencontros"
Espero que gostem do capítulo de hoje. :)


      
  E só mais uma vez aceitar...

Aquele lugar tinha gosto de infância para ela.
Emma pedalava como uma criança em sua antiga bicicleta enquanto Rodrigo a seguia aos resmungões.

_ Vai mais de vagar, Emma! _ Ele gritava.

Mas o vento fresco batendo em seu rosto fazia com que ela quisesse pedalar cada vez mais rápido.

Por fim, ela parou próximo ao pequeno lago. Rodrigo não demorou muito para chegar em seus calcanhares e desmontar se estabacando na grama verde. _ Estou velho demais para isso.

_ Não está velho, está fora de forma. _ Emma disse olhando para a barriga do irmão. Rodrigo sempre teve bom físico, mas estava começando a adquirir aquela famosa barriguinha de chopp.

_ Ei! _ Ele reclamou quando viu o olhar da irmã.
_ Se continuar a comer lasanha como comeu hoje, não vai conseguir nem completar uma caminhada.
_ Eu estava com fome. _ Ele se defendeu, mas Emma já não lhe dava mais atenção, estava tendo um daqueles seus momentos em que algo invisível lhe prendia a atenção.

Era fácil se perder em pensamentos lá, desde que se entendia por gente, Emma e Rodrigo freqüentavam a Quinta da Boa Vista, fosse para dar voltas de bicicleta, fosse apenas para se sentar no gramado e observar a paisagem.

Emma perdeu a conta de quantas vezes suas reflexões naquele mesmo lugar a levaram a tomar decisões que mudariam sua vida por completo.

_ Nunca perde o encanto, né? _ Rodrigo suspirou ao seu lado.

08 janeiro 2014

Reencontros - 7. As coisas como são




Olá leitores!!Depois de duas semanas de hiatus, Reencontros está de volta. JO capítulo de hoje está bem curtinho e simples, mas vocês vão poder conhecer um pouquinho melhor a família de Emma.Para quem não leu os capítulo anteriores e quer conhecer mais da história, clique AQUI.


   As coisas como são


Sabe aquele tipo de gente que mesmo quando o inferno parece estar de visita a Terra toma banho quente? Pois bem, Emma é dessas.
A pele branca estava vermelha depois de suportar a água pelando, ela ainda saiu resmungando do chuveiro devido ao suor que já começava a lhe presentear com um bigode ao redor dos lábios. Coerência nunca foi uma de suas características.
Passou a última meia hora sendo escalpelada pela água escaldante, enquanto os miolos divagavam em busca de uma resposta, que obviamente, ela não encontrou, mas ela conseguiu chegar à algumas conclusões, não que isso a ajudasse de alguma forma.

As conclusões de Emma.
Ela quis ir à festa justamente para rever Felipe.
Ela não queria que Maurício soubesse da história deles porque
isso significaria não vê-lo mais.


18 dezembro 2013

#Reencontros - 6. Essa coisa de fazer o mundo acreditar



Essa coisa de fazer o mundo acreditar


As mãos suadas, o coração batendo insistentemente forte dentro do peito. Emma sentia-se uma adolescente sentada à mesa com a família.

Enquanto todos riam e conversavam, ela tentava acalmar os próprios nervos, brigando consigo mesma por se deixar afetar daquela forma.

Maurício não dava sinais que os dois tinham brigado. O rapaz se portava da forma mais simpática possível perante a família da namorada. Ela gostou ainda mais dele por isso.

O senhor Antônio era só elogios para o novo genro, considerando que Maurício era o único cara que Emma já tinha levado em casa.

_ Que foi titia? _ A pequena Dani perguntou quando viu a cara de brisa de tia na mesa de jantar.
_ Ah... Oi, querida. _ Emma se tocou que estava com cara de quem estava em outro planeta. _ Quer que eu corte a carne para você?
Dani fez que sim com a cabeça. Emma amava a sobrinha. Apesar da distância, o irmão mais velho, Rodrigo, sempre dava um jeito de colocar a filha para falar com a irmã pelo skype.
A senhora e o tio Maurício brigaram? _ A menina cochichou para a tia. _ Tão pequena e já tão esperta. _ Essa menina tem futuro.
Emma não respondeu, mas piscou para a criança que lhe deu um sorriso cúmplice como resposta.
Maurício dirigia alguns olhares sorrateiros para ela, mas continuava a conversar com Rodrigo e o pai de Emma.


11 dezembro 2013

Reencontros - 5. Eu sei que você sabe quase sem querer

       




E eu sei que você sabe quase sem querer...



Quando a gente faz algo errado, sempre fica com aquela sensação de que foi descoberto.

Cada olhar parece acusador, como se a pessoa estivesse lhe dizendo: Ei! Eu sei que o que estava passando pela sua cabeça.


No caso de Emma, ela imaginava...
Está sorrindo para o seu namorado,
Mas a gente sabe o que você queria fazer com Felipe no banheiro.

27 novembro 2013

Reencontros - 4. Se dou festa trato bem até quem chega de penetra



Então... Hoje é quarta-feira e cumprindo a agenda do blog, eu vim postar o capitulo 4 de Reencontros.

* Não esqueçam que toda quarta teremos atualizações dessa história.

O capítulo de hoje tá maiorzinho que os outros, me avisem se quiserem que eu diminua para os próximos ;)
Estou curiosa para saber se vocês vão gostar do "Penetra" (risos).

Espero que apreciem a leitura.

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  Se dou festa trato bem até quem chega de penetra

Tem sempre aquela ideia que não faz o menor sentindo brotando na cabeça quando a situação é complicada.

Emma tinha várias delas e naquele momento, elas estavam causando um congestionamento em sua mente.

Colocou todas as ideias em uma gaveta imaginária, incluindo a de sair correndo dali como se não houvesse amanhã ou a de estrelar o barraco do ano com o namorado na frente dos amigos.

_ Eu não pretendia apresentar vocês hoje, mas como meu namorado não consegue cumprir uma promessa, acho que não tenho escolha. _ Disse forçando um sorriso. _ Pessoal, esse é o Maurício.


O que realmente ela queria dizer era.
Esse é o meu namorado, sim eu sei que ele é lindo e não, eu não
queria apresentar ele para vocês, porque vocês
não fazem mais parte do meu convívio social.
Fiz ele prometer que passaria o dia com meu pai, mas ele
resolveu me fazer uma desagradável surpresa aparecendo aqui
e me colocando nessa situação ridícula na frente de todos.


Maurício ainda lhe sorria, aquele tipo de sorriso encantador que tirava Emma do sério. _ Oi amor! _ Ele disse antes de envolvê-la em seus braços fortes.

_ Amor? _ Milena fez eco com a interrogação estampada no rosto. _ Emma a ignorou.

_ Amor? _ Milena perguntou novamente, dessa vez, cruzando os braços.

Todos continuaram olhando com curiosidade, até Maurício abraçar Emma pela cintura com uma das mãos e dizer. _ A Emma não queria me apresentar a vocês hoje, mas sabe-se lá quando eu vou ter outra oportunidade né? _ Ele sorriu com os dentes perfeitos.

Isso não se faz, Emma. _ Rebeca disse brincando. _ A gente promete que vai se comportar. _ Ela piscou para Emma e carregou Maurício até a mesa cumprindo seu papel de anfitriã para oferecer algo para ele comer.

O restante do pessoal se dispersou, a maioria nunca teve muito interesse pela vida amorosa de Emma, apesar dela ter certeza que se perguntariam por que ela não queria apresentar o namorado.

Ela sabia que Milena continuava ali prostrada esperando uma resposta que ela achava que merecia.

Emma não se deixou abalar, mas quando se virou foi difícil manter a concentração.


E Emma viu-se cercada.
Milena pela esquerda.
Felipe pela direita.
Ela no meio e sem saída.


Eu posso saber por que a sua melhor amiga não fazia ideia que você tem um namorado? _ Milena perguntou fazendo cara de magoada. _ E muito mal educado por sinal, ele nem me cumprimentou.

Emma olhou para Felipe como quem pede ajuda, mas ele apenas arqueou uma sobrancelha fazendo uma pergunta silenciosa.

_ Não sou obrigada a expor a minha vida em um outdoor, sabia? _ Ela se irritou. _ Você deveria saber que tem coisas que gosto de manter só para mim.

_ Tipo um cara lindo e sensual né? _ Camila chegou à conversa cheia de bom humor.

_ Não sei que tanta beleza você está vendo. _ Milena comentou ranzinza.
Felipe lançou um olhar carrancudo a Emma e saiu de perto das moças.
.
_ Ah para, Milena. _ Camila deu um empurrãzinho no ombro da amiga. _ O cara é um gato. Tá de parabéns, Emma.

Milena fez cara de nojo, mas não retrucou com Camila. _ Ainda não acredito que não me contou. _ Disse chateada a Emma e saiu de perto da amiga.
Emma sentiu uma pontada de culpa no coração, mas como sempre fazia, chutou a culpa para baixo do tapete.

Às vezes, se sentia egoísta por não dar importância para aquele tipo de comportamento de Milena, mas cedo ou tarde a culpa ia embora e ela ignorava o drama da outra.

Olhou chateada para Maurício, ele tinha insistido em acompanhá-la naquela viagem, mas Emma o fez prometer que ficaria na casa de seus pais.

Não que ela tivesse vergonha dele, mas não queria introduzi-lo naquele círculo de amigos com quem não tinha intenção de manter contato depois que retornasse para o sul.

Mas Maurício, como sempre, não conseguiu se conter. Ele era maravilhoso, mas Emma se irritava com os excessos do rapaz.

O calor embaçou a sua visão. Percebendo que a maioria das atenções estavam sobre o penetra, Emma aproveitou a oportunidade e saiu disfarçadamente em direção ao banheiro.

Jogou um pouco de água na nuca e no rosto. Fez uma careta involuntária diante do pimentão vermelho que encontrou ao se olhar no espelho.
A maçaneta da porta do banheiro se mexeu, sorte dela que se lembrou de trancá-la quando entrou.

TOC TOC... Alguém bateu. _ Será que não percebem que está ocupado? _ Ela pensou irritada.

TOC TOC... Insistem.

_ Tem gente!

TOC TOC...

Emma odiava aquele tipo de brincadeira. Secou o rosto e abriu a porta num rompante pronta para descarregar sua frustração no engraçadinho que batia. _ Eu já disse que tem gente! _ Disse antes de ver quem era.

_ É exatamente por isso que quero entrar aí. _ Felipe entrou sem ser convidado e se colocou entre Emma e a porta.

_ Não começa com isso, Felipe. _ Ela deu passo para trás. _ Sai da minha frente.

_ Você pode tentar passar por mim. e  nós dois sabemos como vai terminar. _ Sorriu _  Ou pode começar a me explicar que história é essa de namorado misterioso.

_ E qual é o mistério? Ele é meu namorado, simples assim.

_ Simples assim... _ Ele disse com um sorriso de escárnio. _ Seria muito simples também você ter me avisado isso antes de... _ Ele parou e coçou a cabeça agitando os cabelos.

_ Antes de?

_ Você sabe, Emma. _ Ele deu alguns passos e logo estava a poucos centímetros dela. _ Antes deu perder meu tempo fazendo planos para a sua chegada.

_ A sei. _ Ela colou-se na parede tentando se afastar dele. Eu vi seus planos na forma de meio metro de altura e voz de hiena.

_ A Bianca é só um tempero, eu sabia que você ia ficar irritada quando me visse com ela e eu adoro quando você fica irritada._ Ele se aproximou de novo e Emma ficou encurralada. _ Eu já até a dispensei.

Ela não queria se sentir daquele jeito. Era como se estivesse revivendo tudo de novo, todas as vezes que caiu naquele mesmo jogo. Sempre começava daquele jeito e Emma sempre terminava com um prato de brigadeiro na mão, os olhos inchados de tanto chorar e Sophia a consolando via Skype.

Encontrou forças para empurrá-lo no momento em que ele espertamente já descia uma das mãos até sua cintura. _ Dois anos, Felipe. _ Sua voz soou mais calma do que seu verdadeiro estado de espírito. _ E você realmente achou que as coisas voltariam àquela mesma bagunça de antes? _ Dessa vez era ela quem estava mais perto da porta.

Felipe virou-se para ela calmamente, como se não tivesse escutado uma palavra do que ela disse se moveu em sua direção, mas Emma agitou as mãos no ar pedindo que ele parasse e algo na postura dela o fez realmente parar. _ Emma, você sabe que não tem como fugir disso. Foi você mesma quem  disse que alguns sentimentos não podem ser esquecidos.

Era verdade, mas ela havia dito aquilo há tanto tempo que teve a impressão que foi em outra vida, palavras ditas por outra pessoa, mas Emma sabia que fora ela quem disse aquelas palavras e a lembrança daquele dia lhe deu forças para fazer o que era preciso.


Uma amarga lembrança.
Emma chegava em um barzinho para encontrar com os amigos.
Felipe estava lá, como ela já sabia que estaria, mas ele não estava só.
Foi uma noite de sorrisos forçados e lágrimas reprimidas.
Depois de alguns excessos alcoólicos, uma declaração e um coração devastado.
Ele: Um dia, você vai superar isso e esquecer esse sentimento.
Ela: Alguns sentimentos não podem ser esquecidos.


_ Você tem razão, eu aprendi isso por sua causa. _ Ela disse e isso deu a Felipe confiança para tentar se aproximar novamente, mas ela o deteve mais uma vez. _ Mas eu também aprendi mais uma coisa depois disso, Felipe, e também foi graças a você.

_ O que? _ Ele perguntou.

_ Alguns sentimentos não podem ser esquecidos, mas são bons demais para serem destinados a qualquer pessoa. _ Ela sabia que tinha atingido o ponto fraco dele, Felipe sempre contou com a devoção dela e pela primeira vez, ela lhe mostrava que as coisas tinham mudado.

Com o silêncio dele, Emma achou que tinha lhe dado uma pequena lição, quase não conseguiu conter o sorriso de satisfação. Virou-se cheia de atitude para sair do banheiro, mas antes de passar completamente pela porta, a voz dele a fez parar. _ Emma.

Ela parou, mas não se virou para olhá-lo. _ Adorei o decote. _ Maldito _ Ele nunca deixaria de ser aquele cara idiota, que pegava qualquer coisa séria que Emma dissesse e jogava pela janela para logo em seguida fazer um comentário impróprio sobre seu corpo.

_ Esse cara. _ Ela disse sem se virar. _ Não seja esse cara. _ Bateu a porta sabendo que tinha dado a ele alguma satisfação. Felipe sempre sabia como atingi-la.


Por um segundo, apenas por um segundo, Emma achou que ele podia ter amadurecido, mas existem coisas que não são fáceis de mudar e daquela batalha, Emma já tinha desistido.


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20 novembro 2013

Reencontros - 3. Vai ser assim para sempre e para sempre há de ser



Olá queridos!
Para melhor organizar as coisas aqui no blog, eu vou me comprometer a postar Reencontros toda quarta-feira. Então quem estiver acompanhando essa história pode vir toda quarta que terá post novo.
Eu já li e respondi todos os comentários do capítulo anterior. Obrigada a todos pela força!

OBS: Para quem está simpatizando com o Felipe, um aviso importante: Ele não é santo rs. A Emma tem lá seus motivos para querer ficar longe dele.

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  Vai ser assim para sempre e para sempre há de ser

Emma ainda estava distraída com a própria imaginação quando o som da discussão a despertou.

_ Deixa os outros falarem um pouco, Milena! _ Arthur esbravejou. _ Todo mundo já sabe que você foi promovida.

_ Não posso fazer nada se isso afeta a sua segurança. _ Milena disse ao namorado. _ E não estou vendo ninguém mais reclamando.

Emma odiava quando os dois faziam aquilo, está certo que Milena podia ser bem irritante quando começava a falar, mas Arthur podia deixar para falar aquele tipo de coisa com ela em particular e não na frente de 15 pessoas, mas os dois sempre tinham aquele tipo de debate em público. O que para Emma, era constrangedor.

_ A Emma voltou depois de dois anos e você ainda não a deixou nos contar nada.

_ Eu já sei de tudo que ela fez, ela me conta tudo pela internet. _ Milena se defendeu.

_ Mas se você ainda não reparou. _ Arthur abriu os braços para mostrar os outros ao redor. _ Você não é a única pessoa aqui hoje.

_ Eu não voltei. _ Emma se intrometeu na discussão. _ Estou apenas de visita e se vocês continuarem com essa palhaçada logo vou me embora._ Levantou-se e foi para longe do casal.

Milena ainda se achava sua melhor amiga. Emma não sabia o porquê disso.

As duas foram muito unidas quando adolescentes, mas quando foram se aproximando da idade adulta, já eram pessoas completamente diferentes. Com interesses e escolhas que as afastavam cada vez mais.

Emma conseguia entender isso tranquilamente, mas Milena insistia em manter aquela aparência de que sempre seriam amigas inseparáveis.

Emma lhe contava pela internet algumas histórias de sua vida na outra cidade, tudo que lhe falava era verdade, mas as coisas mais importantes guardava para si, ou contava para outras amigas com quem julgava ter uma amizade de verdade.


Uma das coisas mais importantes para Emma.
Uma par de olhos azuis.


Talvez aquela situação fosse mesmo culpa dela. Se tivesse coragem de dizer a Milena que as coisas já não eram como há 15 anos atrás, talvez a “amiga” percebesse o que todo mundo já tinha percebido.

Enquanto caminhava, sabia que estava sendo observada, mas fingiu que não tinha notado.


Mas ela notou.
Olhos negros que a acompanhavam.
Os pelos de seu braço que se eriçavam.
As pernas que tremiam.


Ainda estava tentando controlar os próprios sentimentos quando alguém lhe ofereceu uma cerveja. Estava muito quente aquela tarde, mas Emma não aceitou a bebida, mesmo que a garganta tenha arranhado em protesto. _ Obrigada, mas vim dirigindo e é melhor não arriscar. Estou com o carro do meu pai e se for parada pela lei seca ele iria ficar muito chateado.

A campainha tocou mais uma vez e Emma se preparou para reencontrar mais um velho amigo, mas se perguntava qual. Olhou ao redor e viu que todos que deveriam estar ali aquela tarde já estavam presentes.

_ Quem será? Já chegaram todos os convidados. _ Rebeca disse franzindo a testa. _ Alguém chamou um penetra? _ Brincou e foi atender o portão.


O penetra
Ele era só sorrisos.
Com cara de inocente e modos encantadores.
Emma sentia que precisa se sentar ao vê-lo ali.


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14 novembro 2013

Reencontros - 2. Os teus olhos são espelhos d’água



Oi amores!!!!!

Hoje eu vim postar o segundo capítulo de Reencontros.
Tenho também um recadinho ;) Vou viajar hoje e só volto na quarta-feira. Vou levar o netbook comigo, mas sabem como é, a minha frequência nos blogs e redes sociais vai cair bastante.
De lá, tentarei atualizar o blog, mas sei que vai ficar complicado.
De qualquer forma, se eu não conseguir me atualizar nos blogs e responder os comentários aqui, na volta eu corro atrás do atraso ok?

Espero que apreciem esse capítulo tanto quanto eu apreciei escrevê-lo.
Beijos e um ótimo feriado para vocês.

Obs: Obrigada pelos lindos comentários no primeiro capítulo!

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2.      Os teus olhos são espelhos d’água


Foram beijinhos, abraços e a as mesmas frases de saudade. Tudo como Emma tinha imaginado.

O coração se aquecia com cada rosto conhecido que se aproximava e o corpo respondia com o calor dos abraços carinhosos.

Ela tinha passado dois anos sem mal falar com aquelas pessoas. Desde que se mudou de cidade, nunca voltou para visitar os amigos e parentes, não até aquela semana.

Emma amava aquelas pessoas, pelo menos a maioria delas, mas tinha o péssimo hábito de guardar os amigos na gaveta, quando isso lhe era conveniente. Sempre se sentiu mal por isso, mas era assim que ela era e não adianta lutar contra a própria natureza.

Enquanto Rebeca a estreitava entre os braços ela se recriminou. A menina era provavelmente o ser humano mais doce que Emma conhecia. Aquela pontada de culpa por negligenciar a amiga ainda a incomodava quando ela sentiu que estava sendo observada.

Com receio, pois já sabia o que encontraria, ela se afastou um pouco de Rebeca e levantou a cabeça. Aquela pontada que sentia no coração foi substituída por uma desarmonia que fez seu peito vibrar com força. Com os olhos ela viu, mas todo seu corpo reagiu.


A visão de Emma
Um rapaz de pele clara.
Cabelos cor de mel.
Olhos negros e intensos que lhe causavam arrepios.


Lá estava ele a observando, como sempre. Ela nunca foi capaz de esquecer o olhar de Felipe.

Ele era a maior das situações mal resolvidas na vida de Emma. Assim que percebeu os olhos do rapaz sobre si, sentiu o rosto esquentar e teve certeza que os outros notariam.

Emma era branca como uma folha de papel, os cabelos ruivos naturais combinavam com as sardas do rosto, mas ela odiava essas características. Principalmente porque a delatavam com facilidade quando estava nervosa.


Um segredinho de Emma
Ela nunca deixava que soubessem como realmente se sentia.


_ Vamos para sombra, Emma. Já está ficando vermelha por causa do sol. _ Rebeca, a anfitriã, a puxou pelas mãos._ Bendita seja!_ Amor. _ Os braços de Felipe a envolveram.


Uma perfeita eternidade
Ela sentiu o corpo fraquejar, mas os braços fortes dele a mantiveram no lugar.
Seu cheiro era melhor do que ela tinha guardado nas lembranças.
O coração dele batia com a mesma força que o dela.
Emma desejou por um momento, apenas por um momento, que aquele abraço durasse para sempre, mas para sempre, sempre acaba.


_ Se você continuar chamando suas amigas de amor, eu vou ficar com ciúmes. _ Aquela coisinha magricela já estava agarrada ao braço de Felipe para marcar território.

_ Como vai, Bianca? _ Emma colocou no rosto seu melhor sorriso como sempre fazia diante das namoradas de Felipe.

Aquela, apesar dos dois anos em que se manteve afastada, ela conhecia bem, os dois já haviam namorado antes de Emma deixar o estado, mas haviam terminado. A julgar pela atitude possessiva da menina, eles deviam ter reatado o namoro. _ Típico de Felipe..

Ele não conseguia ficar um mês sozinho. Emma já tinha perdido as contas de quantas namoradas ou ficantes o rapaz já teve. Ela conhecia quase todas.

Passado aquele momento inicial, que Emma sabia desde o início que seria constrangedor, todos se reuniram no quintal da casa de Rebeca e se puseram a conversar.

Como sempre acontece, quando se tem um grupo grande de pessoas, alguns grupinhos foram se formando.

Milena não desgrudou do lado de Emma, as duas estavam sentadas lado a lado, nessas cadeiras desconfortáveis de festa, enquanto Milena se colocava a gabasse de sua vida.

Emma não ficou chateada com o egocentrismo da amiga. Houve um tempo que as falações e falta de modéstia da amiga a incomodavam imensamente, mas aprendeu a ignorar a maioria das baboseiras que a outra falava e se fechou em seu próprio mundo. Limitando-se a sorrir quando os demais o faziam e a mexer a cabeça quando achava ser necessário.

Em sua mente, um quadro era pintado enquanto ela se divertia no mundo que criara só para si, um lugar onde ninguém tinha permissão para entrar...


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