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11 dezembro 2013

Reencontros - 5. Eu sei que você sabe quase sem querer

       




E eu sei que você sabe quase sem querer...



Quando a gente faz algo errado, sempre fica com aquela sensação de que foi descoberto.

Cada olhar parece acusador, como se a pessoa estivesse lhe dizendo: Ei! Eu sei que o que estava passando pela sua cabeça.


No caso de Emma, ela imaginava...
Está sorrindo para o seu namorado,
Mas a gente sabe o que você queria fazer com Felipe no banheiro.



Ficar trancada no banheiro com Felipe, por mais que não tivesse feito nada, deixou Emma com a consciência pesada.

O restante da tarde passou de forma constrangedora. Várias perguntas por parte dos amigos querendo saber mais sobre a vida dela.

Milena continuava a lhe mandar olhares carrancudos, o que a estava irritando bastante, e Felipe tinha sido tragado pela terra.

O rapaz sumira desde o incidente entre os dois no banheiro e ninguém parecia ter notado a sua ausência, ninguém além de Emma.

Enquanto Maurício conversava sobre futebol com os rapazes, bendito seja esse esporte por manter os homens entretidos, Emma divaga consigo mesma, como sempre.

Já que Maurício estava ali, ele poderia levar o carro e Emma se sentiu no direito de beber uma cerveja e amenizar aquele calor. Enquanto enchia seu copo, seus olhos faziam uma ronda silenciosa pelo local. _ Aonde aquele infeliz se meteu?

_ Ele foi embora. _ Uma voz feminina a assustou. Era Milena.

_ Quem? _ Emma fez-se de desentendida.

_ Pode parar com o teatro, Emma. Nós duas sabemos que você está procurando o Felipe. Só queria saber o que você fez com ele.

_ O que eu fiz com ele? _ A respiração de Emma começava a se acelerar, Milena estava prestes a ultrapassar os limites, mais uma vez.

_ Eu vi quando ele entrou no banheiro com você. Depois vi você sair e o Felipe passou por mim feito um furacão quando foi embora pela porta da frente. _ Milena disse como se fosse a coisa mais natural do mundo ficar vigiando Emma no banheiro. _ Sabia que ele sentiu a sua falta? _ Disse acusadora.

Emma respirou fundo, puxou tanto ar que pensou que seus pulmões poderiam explodir. _ Não vou ter essa conversa com você. _ Largou o copo sem nem ter levado uma gole da cerveja a boca.

_ E você ainda se acha no direito de ficar chateada? _ Milena continuou. _ Foi você quem foi embora, agora volta trazendo um cara estranho, mesmo sabendo que a história de vocês ainda está em aberto.

_ Não sei se você reparou. _ Emma usou de sua ironia. _ Mas o Felipe também não está sozinho.

_ Bianca? Você sabe como ele é. _ Milena deu de ombros. _ Ele é homem, Emma. Quem foi embora foi você. Não pode esperar voltar e encontrar ele sentando num banco esperando por você.

_ Eu não voltei. Nem vou voltar.

_ Então está fazendo o que aqui? Você sabia que ele viria e sabia o que ele estaria esperando que acontecesse algo entre vocês.

_ Eu vim por consideração a Rebeca.

_ Você pode até mentir pra si mesma, ou tentar mentir pra mim, mas não se engane, Emma. Você sabe tão bem quanto eu porque está aqui.

As duas ficaram por alguns minutos em silêncio, até que Milena não agüentou e continuou a falar. _ Eu não sei o que se passa na sua cabeça, mas não vou mais fingir que a sua indiferença não me afeta. Cansei de correr atrás de você, Emma.

Você se muda, mal fala comigo, me esconde as coisas. Quer saber? Pode voltar pra sua vida onde eu não estou inclusa. Só acho que você deveria considerar mais os sentimentos do Felipe.

_ Você não sabe o que está falando. _ O tom de Emma era baixo e contido, de alguma forma, ela sabia que Milena não estava totalmente errada.

_ Talvez eu não saiba mesmo, mas a culpa disso é sua. Se quer me excluir, pelo menos podia ter me dado um bom motivo pra isso.

A pausa que se seguiu foi constrangedora. As duas se encararam e Emma viu lágrimas se formarem no canto dos olhos de Milena. _ Terminou? _ Perguntou.
A outra fez que sim com a cabeça. Emma apenas se afastou sem dizer mais nenhuma palavra.

Sentia-se mal por se a culpada daquele olhar magoado de Milena, mas fez o que sempre fez de melhor na vida. Fugiu daquele constrangimento.


Mais um segredinho de Emma.
Ela preferia fugir a encarar a realidade.


O silêncio dentro do carro era incomodo, mas Emma não estava a fim de conversar. Maurício também não parecia muito disposto.

Depois da discussão com Milena, Emma tratou de se despedir dos amigos e arrastar o namorado para fora da festa, usando a velha desculpa de que estava passando mal devido ao calor.

Quando Maurício estacionou o carro em frente a casa dos pais dela, Emma foi incapaz de descer do veículo, não queria deixar as coisas mal resolvidas antes do jantar em família.

Para sua sorte, Maurício iniciou a conversa. _ Era por causa daquele cara que você não queria que eu fosse lá hoje, né?

Ela pensou em dizer: Que cara? Mas achou que não seria justo com Maurício. Preferiu o silêncio como resposta.

_ Emma..._ O tom de Maurício era impaciente.

_ É passado.

_ Se é passado, por que me parece tão presente em você?

_ Mau... A gente pode esquecer esse assunto? Não vamos mais vê-los. Logo voltamos para casa.

_ Não, Emma. Não podemos esquecer esse assunto.

_ Eu sinceramente não quero falar sobre isso.

_ Ótimo! _ Maurício tirou o cinto. _ Então até você ter “vontade” de ter essa conversa, não teremos conversa nenhuma. _ Ele abriu a porta dando a ela uma última chance, mas Emma apenas fitou a rua.

Ela soube que se quisesse manter o relacionamento com ele, teria que baixar a guarda, mas ela nunca foi muito boa com conversas difíceis.

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